Ele levantou-se devagar, suas pernas doíam. Principalmente a perna esquerda, ele era coxo, andava mancando desde a oitava série quando foi atropelado, mas isso nunca interferiu na sua vida. Ele passara as ultimas horas sentado num acento desconfortável de classe econômica. França, Brasil. Ele se chamava Roberto Galgais e acabara de chegar da França. Roberto era um homem estudado, falava quatro línguas: português, inglês, francês e espanhol. Mas ele nunca passara tanto tempo longe de casa, às vezes ele surpreendia a si mesmo com os próprios pensamentos.“Cinco anos, cinco malditos anos, e apensa duas ou três cartas”. Ele sabia que não seria bem recebido”.
Nos últimos cinco anos ele morou em paris, ele mandou três ou quatro cartas e só fez uma visita. Nos cinco anos morando na França ele tinha começado uma nova vida que fora um sucesso. Mas ele acabou destruindo a própria vida perfeita. E foi forçado a voltar pra casa, cansado fracassado e um fudido na vida. Ele nem sequer se lembrava bem da única visita que fez. A visita fora rápida e seguida por um porre num bar. Mas ele se lembrava muito bem de como o irmão o recebera – calorosamente, seguido por uns amigos, mas mesmo assim feliz – e se lembrava de como irmão mudara. Mas isso é passado, o que importa é que o mesmo irmão que o recebeu tão calorosamente deveria recebê-lo de novo hoje.
Ele saiu do aeroporto e olhou
O celular chamou cinco vezes. Atendeu uma voz sonolenta assoprando no fone:
– Alo? – disse a voz do irmão que ele quase não reconheceu.
– Matheus, porra eu disse que tava chegando hoje! – ele gritou para o irmão. A voz fez uma pausa como que para olhar no relógio.
– “Pô” foi mal, eu tava dormindo – fez uma pausa – mas não foi sozinho – o irmão deu uma risadinha.
– Eu vou ficar aí? Por vingança – ele disse para o irmão.
– Sim capitão – o irmão falou num tom de soldado sonolento – Mas me diz, eu tenho escolha? – ele estava mais sarcástico que sonolento agora.
– Não.
– Então pode vir; vai ser um prazer. Onde tu “tá”?
– Saí do aeroporto agora.
– Falou. Tchau.
– Tchau.
Ele desligou o telefone e olhou em volta de novo. Agora procurava um táxi. Ele estava voltando para o Brasil depois de anos trabalhando numa empresa propaganda desenhando e fazendo famosas as marcas que lhe cobravam dois Euros por uma cerveja. Ele foi burro o bastante para se casar com a filha do patrão e depois que a esposa de deu um pé na bunda e levou todo o seu dinheiro o patrão o demitiu. Que jeito se ser feliz... Ele tinha uma vida quase perfeita e desde que a esposa atirou o primeiro vaso na cabeça dele ele começou a imaginar: “que diabos deu errado na minha vida quase perfeita?”. ele suspirou cansado. A resposta era óbvia: a parte do quase.
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