quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Passaro prateado (parte 7)

(...)

– Acho que sim. Vai se arrumar logo você sabe que vai mudar de idéia – disse Matheus indo para a sala.

O conhecimento de um irmão pelo outro assusta alguns cientistas. Matheus conhecia Roberto e ele realmente sabia disso: Roberto iria mudar de idéia. Deve ter sido isso que convenceu Roberto, pois ele realmente mudou de idéia.

Aquilo que Matheus chamou de festa era um bar do tipo que se vê em filmes – e na verdade o nome do bar era Hollywood –, um verdadeiro bar irlandês de Hollywood.

– Onde você achou esse lugar? – ele perguntou para o irmão assim que entraram.

– Sabe a ex que eu mencionei? – Matheus respondeu elevando a voz acima da musica do lugar.

Roberto assentiu.

– Esse lugar é do irmão dela. Ele é um cara muito gente fina. Tem dois bares um café e uma sapataria. Se a gente tiver sorte conseguimos achar-lo aqui.

Roberto deu uma olhada longa e desanimada naquilo perguntando como poderia se conhecer uma mulher num lugar desses. Suspirou e procurou pelo irmão. Depois de dois minutos ele o viu no bar com uma caneca de cerveja na mão. Demorou um pouco para perceber que estava conversando com uma mulher. Depois de dar uma olhada nela Roberto achou graça do podre irmão.

Ela era linda e muito mais velha que ele. Talvez a idade de Roberto, mas provavelmente mais. Cabelos longos, ondulados e castanhos iam até pouco acima da cintura. Um casaco grosso de lã que ela deitou no encosto do alto banco onde se sentava. Roberto decidia se chegava perto ou se os deixava sozinho. Não queria estragar a paquera do irmão, mas...

Discretamente Matheus deu um aceno para Roberto sem que a mulher percebesse. Roberto, imaginado o que diabos o irmão faria agora, foi até lá relutante.

– Meu “irmaozão”!– ele disse Matheus assim que Roberto chegou perto o suficiente. Matheus tentou fingir surpresa. Talvez tivesse enganado a mulher, mas para Roberto era uma mentira óbvia – a gente estava mesmo falando de você!

– É. Faz um tempo que eu queria te ver. O seu irmão me falou muito de você.

– Eu aposto que falou – respondeu Roberto tentando ser o mais gentil possível. Mesmo assim fulminou o irmão com o olhar.

– Faz semanas que ele me manda ser gentil com você quando você chegar – ela disse dando um sorriso sarcástico para Matheus.

– Eu tenho que ir... – disse Matheus esgueirando-se para longe sem tirar os olhos do irmão – para lá...

Dizendo isso ele se virou e andou para o outro lado do bar em um passo apressado. Roberto olhou para a mulher e ela olhou para ele. Ela começou a rir e Roberto sorriu.

– Ele vai voltar. Não me deixaria aqui – Roberto disse. Pelo jeito que o irmão tinha mudado não tinha certeza se dizia a verdade ou se mentia para si mesmo atrás de conforto – eu espero. Roberto terminou incerto. A mulher riu e ele sorriu. De repente o rosto dela mudou e ele viu Genevive sorrindo para ele. Afastou o pensamento – a quanto tempo você e Matheus se Conhecem?

Roberto estava quase desesperado para mudar de assunto. Não queria se envolver muito em nada. A mulher olhou para ela e sorriu incrédula.

– Você não percebeu? – ela perguntou quase rindo.

– O que?

– Isso é coisa dele – ela disse apontando para Matheus que conversava com uma moça do outro lado do bar – é um encontro ás cegas.

Roberto ficou estático por um momento e depois deu uma risada alta. O Matheus que ele conhecia antes de ir para o outro lado do atlântico jamais faria isso.

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