Lembram que ontem mencionei que mandei à minha professora um par de textos? pois é, hoje tive aula de português e a professora veio falar comigo, me parabenizou e me disse que talvez viesse a mandar outro e-mail (foi o que ela deu a entender pelo menos) qualquer outro dia. eu sorri e agradeci os elogios. quando ela se virou e voltou para a frente da sala pedindo ordem (no intervalo entre um professor sair e outro entrar a sala, como qualquer outra, vira um caos) e eu enfiei livro de matemática na mochila enquanto tirava o de língua portuguesa. então abateu-se de mim um estranho sentimento. um sentimento de desolação, de confusão, questionamento preocupado. estava quase desorientado.
apenas agora (horas depois) percebi o que era aquela sensação estranha. Eu não cheguei a pensar, mas senti uma pergunta no canto da minha mente: já mostrei a ela, e agora? Eu talvez tivesse a esperança de que se ela visse alguns textos algo viria a acontecer. mas por enquanto a vida é a mesma. eu sei o quanto sou pretencioso, mostrei quatro páginas numa tarde e no dia seguinte estou frustrado por nada ter acontecido.
bem, nada aconteceu ainda quem sabe em algumas semanas algo venha a mudar. talvez, apenas talvez. hunf… adoro essa palavra. Talvez, talvez… é tão ilimitada, sem fronteiras. voltando ao assunto, imagino que seja arrogância esperar por resultados hoje, não é?
Mas – ah… – estou ficando cansado. estou ficando frustrado a cada dia, e não estou falando da professora. ela nada tem a ver com isso, o fato é que comecei meu primeiro projeto (como chamo meus contos, crônicas, ou como quer que queira chamar-lós) há mais de dois anos agora e…
Ele suspira jogando a cabeça para trás na cadeira cansadamente, gemendo de frustração. sua cabeça parece mais pesada do que nunca. Das caixa de som negras ecoa uma musica e Don McLean canta suas líricas. ele pensa que aquela letra não acabaria nunca. se endireita na cadeira o teclado parecendo a quilômetros e quilômetros de distancia, volta para perto do computador e martela as teclas finas ouvindo o som de seus dedos no plástico e para ele - provavelmente apenas para ele – as marteladas irregulares das teclas pareciam seguir a melodia do violão. a musica finalmente termina assim como seu pouco animo, ele se afasta do computador apoiando o cotovelo no braço da cadeira e descansando a cabeça nele. ele pensa, pensa, pensa. Pensa num garoto que queria ser detetive e num jovem apaixonado pela melhor amiga, pensa naquele projeto – Ahh, aquele projeto especial, ele sempre tem um projeto especial – punindo-se por não ter terminado o ultimo capitulo. tinha a história toda na cabeça, faltavam apenas umas cinco páginas e ele escrevia umas duas ou três paginas diárias no blog. cinco ou dez paginas não eram nada. Então, ele pensou, por que você não termina?! ele suspira cansado e frustrado. sabia que não poderia simplesmente forçar a história para fora. talvez, apenas talvez aquele fosse o final errado. Sim! o final, não está certo, não combina com o resto! como ele poderia estar tentando escrever um final se ele está errado? era por isso que ele não conseguia! precisava pensar em um novo final, só isso. ele odiava finais, mas se ele pensasse, se tentasse se inspirar poderia pensar num bom final, um novo. ele sorriu finalmente animado de novo.
“sim”, ele murmura se afastando do computador para pegar um trecho de poesia que lera no livro de português durante a aula, “um novo final. Agora vou terminar minha obra prima.”
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