Dor. Ele caiu no chão de lado tentando segurar sua perna com as mãos. Um grito horrorizado de dor passou pelos seus dentes cerrados como um gemido baixo e sem fôlego. A perna! A perna doía! Queimava, queimava tanto! Ele olhou para a perna, mas viu apenas o jeans azul se desmanchando numa mancha enorme de vermelho escuro que crescia conforme ele olhava-a. outro grito desesperado se transformou num gemido quase inaudível que escapou por entre seus dentes cerrados. Ele olhou para cima. um homem num casaco o contornava com uma pistola na mão simplesmente examinando cada pedaço dele. Cada imperfeição talvez. Estudava-o, examinava-o, esquadrinhava-o. um pensamente passou pela cabeça de Juliano que fez seus dentes começarem a bater, sua alma se transformar numa poça de medo e desespero enquanto ele ficava ali deitado: aquela forma estranha levando em sua mão a ceifadora, a maquina da morte estava procurando um novo lugar para puxar o gatilho. O homem que andava ao seu redor parou ao seu lado e simplesmente apontou calmamente a pistola para seu abdômen e puxou o gatilho.
Aquela pequena parte da cidade brilhou por um momento, como o flash de uma câmera, mas mais fraco. Então Juliano sentiu seu fígado e seu rim esquerdo explodirem e era algo trucidante. Calor, queimação como mil agulhas incandescentes perfurando o seu corpo lentamente. Ele gritou, mas o que saiu pela sua boca fechada com toda a força foi um gemido horrendo. Ele tentou respirar, mas seus pulmões não o obedeciam. Ele tinha que escapar, puxou-se para trás com as mãos empurrando-se para longe, mas o homem com a pistola apenas continuou a circular-lo e examinar-lo. Ele sentiu um gosto metálico na boca e cuspiu vendo uma bola de musgo rubro voando para o lado. Ele gritou a plenos pulmões. Chance, chance, ele pensou enquanto se arrastava com toda a força. Eu ainda tenho uma chance. Basta eu correr!
Ele tentou se por de pé, mas caiu de bunda no chão sentindo ainda mais dor na perna. Ele já quebrara a perna antes e isso era exatamente a mesma coisa, mas terrivelmente mais forte. Muito mais forte. Ele olhou para baixo e viu a trilha de sangue que deixara e, no fim da trilha gosmenta e pegajosa de um vermelho escuro que refletia a luz do poste ali perto, ele viu o resto da sua perna.
E então ele simplesmente gritou. Gritou. A sua perna estava ali! a perna dele! Ele não tinha nenhuma chance! Nunca mais iria andar! Então abateu-se sobre ele, como uma sombra, a certeza: ele nunca mais iria andar. Ele nunca mais iria ver a namorada, nem a família, nunca mais iria ver outro pôr-do-sol, nem nada além daquela rua escura e daquele homem com uma pistola na mão. Ele se arrastou mais uns centímetros, apenas o suficiente para apoiar a cabeça num porte. Uma luz amarelada caía sobre ele e sobre o homem que parou perto dele com a arma na mão. Juliano tentou parar de gemer enquanto olhava para o homem. o braço encasacado levantou-se e apontou a arma com um silenciador para ele.
O cano, profundo descomunal; uma grotesca fenda escura parecia um olho mirando-o profundamente, como que tentando ver a sua alma. O olho da morte, o olho do ceifador, ele sabia que era ali. ali ele acabaria: numa rua fria e escura apoiado num poste com a perna bem longe dele. Ele morreria ali. enquanto isso o olho ainda o encarava. O buraco negro que, ele tinha certeza, levaria a algum lugar profundo do inferno. Aquele era o olho da morte. Ele pensou na namorada, pensou na mãe, no pai, nas pessoas que amava e seu coração pareceu desaparecer em seu peito. Ele nunca mais iria ver-las novamente. Enquanto isso o cano parecia brilhar num espectro horrendo nas cores da luz amarelada dos postes ali perto. O cano grosso que enquadrava o vazio negro do buraco da arma refletia a luz fraca e indireta dos postes ali perto. A arma apontava e fazia mira. Mira para a morte, o julgamento, a liberdade.
O golpe de misericórdia.
Ele viu o mesmo brilho de antes e depois não viu mais nada.
nossssaaaaa
ResponderExcluirq triissteeeee
vc matou o pobro do juliano!!
mto dramáticooo!!
mas ameii a narrativaaa
de mais!