domingo, 1 de março de 2009

A Rua (parte II)

Dor. Ele caiu no chão de lado tentando segurar sua perna com as mãos. Um grito horrorizado de dor passou pelos seus dentes cerrados como um gemido baixo e sem fôlego. A perna! A perna doía! Queimava, queimava tanto! Ele olhou para a perna, mas viu apenas o jeans azul se desmanchando numa mancha enorme de vermelho escuro que crescia conforme ele olhava-a. outro grito desesperado se transformou num gemido quase inaudível que escapou por entre seus dentes cerrados. Ele olhou para cima. um homem num casaco o contornava com uma pistola na mão simplesmente examinando cada pedaço dele. Cada imperfeição talvez. Estudava-o, examinava-o, esquadrinhava-o. um pensamente passou pela cabeça de Juliano que fez seus dentes começarem a bater, sua alma se transformar numa poça de medo e desespero enquanto ele ficava ali deitado: aquela forma estranha levando em sua mão a ceifadora, a maquina da morte estava procurando um novo lugar para puxar o gatilho. O homem que andava ao seu redor parou ao seu lado e simplesmente apontou calmamente a pistola para seu abdômen e puxou o gatilho.

Aquela pequena parte da cidade brilhou por um momento, como o flash de uma câmera, mas mais fraco. Então Juliano sentiu seu fígado e seu rim esquerdo explodirem e era algo trucidante. Calor, queimação como mil agulhas incandescentes perfurando o seu corpo lentamente. Ele gritou, mas o que saiu pela sua boca fechada com toda a força foi um gemido horrendo. Ele tentou respirar, mas seus pulmões não o obedeciam. Ele tinha que escapar, puxou-se para trás com as mãos empurrando-se para longe, mas o homem com a pistola apenas continuou a circular-lo e examinar-lo. Ele sentiu um gosto metálico na boca e cuspiu vendo uma bola de musgo rubro voando para o lado. Ele gritou a plenos pulmões. Chance, chance, ele pensou enquanto se arrastava com toda a força. Eu ainda tenho uma chance. Basta eu correr!

Ele tentou se por de pé, mas caiu de bunda no chão sentindo ainda mais dor na perna. Ele já quebrara a perna antes e isso era exatamente a mesma coisa, mas terrivelmente mais forte. Muito mais forte. Ele olhou para baixo e viu a trilha de sangue que deixara e, no fim da trilha gosmenta e pegajosa de um vermelho escuro que refletia a luz do poste ali perto, ele viu o resto da sua perna.

E então ele simplesmente gritou. Gritou. A sua perna estava ali! a perna dele! Ele não tinha nenhuma chance! Nunca mais iria andar! Então abateu-se sobre ele, como uma sombra, a certeza: ele nunca mais iria andar. Ele nunca mais iria ver a namorada, nem a família, nunca mais iria ver outro pôr-do-sol, nem nada além daquela rua escura e daquele homem com uma pistola na mão. Ele se arrastou mais uns centímetros, apenas o suficiente para apoiar a cabeça num porte. Uma luz amarelada caía sobre ele e sobre o homem que parou perto dele com a arma na mão. Juliano tentou parar de gemer enquanto olhava para o homem. o braço encasacado levantou-se e apontou a arma com um silenciador para ele.

O cano, profundo descomunal; uma grotesca fenda escura parecia um olho mirando-o profundamente, como que tentando ver a sua alma. O olho da morte, o olho do ceifador, ele sabia que era ali. ali ele acabaria: numa rua fria e escura apoiado num poste com a perna bem longe dele. Ele morreria ali. enquanto isso o olho ainda o encarava. O buraco negro que, ele tinha certeza, levaria a algum lugar profundo do inferno. Aquele era o olho da morte. Ele pensou na namorada, pensou na mãe, no pai, nas pessoas que amava e seu coração pareceu desaparecer em seu peito. Ele nunca mais iria ver-las novamente. Enquanto isso o cano parecia brilhar num espectro horrendo nas cores da luz amarelada dos postes ali perto. O cano grosso que enquadrava o vazio negro do buraco da arma refletia a luz fraca e indireta dos postes ali perto. A arma apontava e fazia mira. Mira para a morte, o julgamento, a liberdade.

O golpe de misericórdia.

Ele viu o mesmo brilho de antes e depois não viu mais nada.

 

Clique aqui para ler em PDF

Um comentário:

  1. nossssaaaaa

    q triissteeeee

    vc matou o pobro do juliano!!
    mto dramáticooo!!

    mas ameii a narrativaaa

    de mais!

    ResponderExcluir